Vivendo Buenos Aires - O que fazer, visitar e experimentar na casa dos Hermanos - Roteiro de 6 dias

Por Natália Góes


Minha primeira experiência em Buenos Aires foi em janeiro de 2013, quando estive por uma semana desfrutando um pouco das muitas atrações que a cidade oferece. Fiquei hospedada na casa de uma grande amiga portenha, que me apresentou a cidade da melhor maneira possível: aos olhos dela. Provei as deliciosas empanadas, o amargo pomelo, a típica parrilla argentina, o delicioso dulce de leche (que é muito diferente do nosso), os alfajores e o sorvete, que arrisco dizer que é um dos melhores do mundo. Dancei até tango! E amei toda a minha experiência por lá.

Casa Rosada, sede da presidência da República Argentina



Acabei retornando a Buenos Aires outras vezes a trabalho; e sempre que vou nestas condições fico hospedada no centro da cidade, no Pestana, que é um excelente hotel, próximo ao Obelisco e à Calle Florida.

Calle Florida, sempre cheia

Obelisco, no centro de Buenos Aires


Meu primeiro dia em Buenos Aires foi de passeio pela Recoleta, bairro hiper charmoso de lá, onde eu gostaria de me hospedar em uma próxima visita à cidade. Entre as atrações deste bairro estão o Cemitério da Recoleta, considerado um museu por conter muitas obras de arte em seu interior, além dos túmulos de muitas personalidades da política e cultura, sendo o mais famoso o túmulo da Evita Perón, a Igreja Nossa Senhora del Pilar, o monumento Floralis Generica, uma linda escultura em flor, com um mecanismo que a faz abrir e fechar as pétalas automaticamente pela manhã e ao pôr do sol. Além destas atrações, o bairro tem agradáveis cafés e ótimos restaurantes. No fim da tarde, aproveitei o clima quente do verão para curtir uma baladinha que considero imperdível para quem passa por lá e gosta de lugares descolados: o Ciudad Cultural Konex. Trata-se de um centro cultural onde todas as segundas se apresentava as 19h um espetáculo de percussão chamado La Bomba de Tiempo, que é muito legal (coloquei um vídeo logo aí embaixo pra dar uma amostrinha grátis do som deles).

Cemitério da Recoleta

Túmulo da Evita Perón
Igreja Nossa Senhora del Pilar
Floralis Generica
Arte nos muros da Ciudad Cultural Konex

Ciudad Cultural Konex
video


No segundo dia me rendi ao ônibus de turismo amarelinho que percorre grande parte da cidade, parando em 26 pontos (há o circuito tradicional, que foi o que eu escolhi, e o circuito azul, que é menor – apenas 6 pontos). Embora você pague um preço único pela diária e possa subir e descer onde quiser, quantas vezes quiser, não dá tempo de parar em todos os pontos e ver tudo com calma. Sendo assim, selecionei os pontos que mais me interessavam e comecei meu passeio. Minha primeira parada foi em La Boca, para conhecer um pouco do bairro e La Bombonera, o estádio do Boca Juniors. Aproveitei minha parada no bairro para comprar alguns presentinhos e almoçar em um restaurante tipicamente portenho, o famoso “bodegón” El Obrero (recomendo fortemente a visita a este restaurante). Segui viagem para a Calle Caminito, coração de La Boca e também o lugar mais colorido de Buenos Aires. Achei lá super alegre, com vários dançarinos de tango e Conventillos, casinhas típicas de lá, hoje convertidas em comércio e lojas de souvernirs. Fiz mais uma parada em Las Cañitas porque amei o bairro e queria tomar um café nele. E finalizei meu passeio em frente ao Teatro Colón, que oferece passeios guiados que eu acabei não fazendo, visto que já era tarde. Terminei meu dia comendo em uma das pizzarias tradicionais da cidade: Los Inmortales, onde também provei a faina, outra comida típica de lá a base de grão de bico, que normalmente acompanha as pizzas.

La Bombonera, o estádio do Boca Juniors

La Boca e a paixão pelo futebol

Maradona, considerado um dos maiores jogadores da história do futebol

A famosa loja Havanna que serve de fachada para a Calle Caminito

A lavadeira da Calle Caminito; seria ela a mãe de Carlos Gardel?

Carlos Gardel, o mais famoso dos cantores de tango argentino

Até eu dancei tango :D

Detalhe da decoração do restaurante El Obrero


O terceiro dia eu dediquei a região central da cidade: conheci a lindíssima livraria El Ateneo, que antes de ser transformada em livraria era um teatro; visitei as galerias Pacífico e a famosa Calle Florida. Também provei as deliciosas empanadas (nada mais porteño); o lugar eleito para tal foi o El Sanjuanino, famoso pela qualidade e variedade de sabores, com vários endereços em Buenos Aires. Se quiser curtir um pub com cervejas variadas e bons petiscos na região do centro, eu indico o The Kilkenny, que fica próximo a Calle Florida.

Livraria El Ateneo

Galerias Pacifico, importante (e lindo) centro comercial
Escolha o sabor da sua empanada e seja feliz no El Sanjuanino

A famosa (e deliciosa) empanada dos hermanos

Iniciei o quarto dia indo ao Zoo de Buenos Aires, que é bem bonitinho (embora o Zoo mais famoso de lá seja o Luján, que fica mais distante do centro da cidade). É um bom programa para famílias com crianças. Segui à tarde para Palermo Soho, região famosa por ser uma área fortemente comercial e pelas dezenas de outlets (o ponto forte fica na esquina da Aguirre com a Calle Gurruchaga). Encontrei marcas famosas em Buenos Aires como a Prune e a Isadora com preços bem mais atraentes que no restante da cidade; isso sem falar em marcas mundialmente conhecidas. O bairro também tem ótimas cafeterias e sorveterias. Me encantei com o sorvete Persicco (além dele tem o igualmente ótimo Freddo); peça o de doce de leite caseiro. Aos sábados rola uma feirinha na pracinha principal de lá (Plaza Serrano), embora o que mais me encantou foram os muitos brechós no entorno da praça. Há também vários barzinhos e pubs; estive em um chamado Rey de Copas que era um charme. Gostei bastante deste bairro e me pareceu outra opção bacana para a hospedagem.

Lhamas no Zoo de Buenos Aires


No quinto dia fui conhecer a cidade de Tigre, que fica a 33 Km de Buenos Aires, em uma parte do Delta do Rio Paraná. Lá eu me rendi novamente ao ônibus turístico que vai parando em pontos estratégicos da cidade. Meu objetivo era conhecer o máximo que podia do lugar. Minha primeira parada foi no Museu de Arte de Tigre, construído em 1909, um museu de várias salas onde é possível conhecer a arte argentina dos séculos XIX e XX através das pinturas de artistas renomados e objetos históricos. Depois desta visita segui para o Porto de Frutos, local mais visitado de Tigre, localizado às margens do Rio Luján. O porto trabalha com diferentes tipos de produtos do delta incluindo madeira, frutas e legumes, e há muitas lojinhas de decoração com artigos bonitos por lá. Encerrei o dia no Trilenium Casino; minha estreia em casinos, inclusive. Fui e voltei a Tigre de trem; a estação fica bem no centro da cidade. No retorno a Buenos Aires fui conhecer Puerto Madero e jantei no restaurante Siga La Vaca, uma churrascaria com rodízio, ótima opção para quem gosta bastante de carnes e quiser conhecer a famosa parrilla argentina. Se a parrilla não for muito a sua cara, há um restaurante italiano muito bom que conheci em Puerto Madero chamado Sottovoce. Ele tem uma pegada mais romântica, além de ser uma delicia jantar em uma das mesas da varanda. 


Museu de Arte de Tigre

Trilenium Casino, em Tigre


Fechei minha semana em Buenos Aires em um domingo; então não poderia deixar de conhecer a famosa Feira de San Telmo. Originalmente ela é uma feira de antiguidades que toma boa parte do bairro e tem muitos artigos de decoração e artesanato. As lojas das ruas no entorno da feira também ficam de portas abertas, e pode-se encontrar muita coisa legal. Aproveitei que estava por lá para conhecer o monumento da Mafalda, na esquina das ruas Chile e Defensa. A tarde segui para um tradicional Irish Pub da região chamado Gibraltar, com mesa de sinuca, boa variedade de cervejas, além de petiscos e sobremesas atraentes. Também em San Telmo há um restaurante de carnes muito bom, o La Brigada. Para quem estiver interessado em provar as carnes da típica parrilla, fugindo dos rodízios, este lugar é ideal!

Cena da feira de antiguidades de San Telmo
Detalhe de umas das barracas na Feira de San Telmo

A Mafalda, em San Telmo


Ai você vai pensar: E o tango, vc não foi a nenhum show de tango em Buenos Aires?? Bem, vou dizer que neste quesito eu dei uma sorte tremenda! Neste mesmo domingo, meu último dia por lá, aconteceu uma super apresentação de tango bem no centro de Buenos Aires. O palco foi montado bem próximo ao Obelisco e as apresentações faziam parte de um programa de espetáculos gratuitos chamado “Verano em la Ciudad”, organizado (muito bem, por sinal) pelo Ministério da Cultura de Buenos Aires. As apresentações estavam a cargo da bailarina e coreógrafa de tango Mora Godoy e de sua companhia, constituída de bailarinos selecionados por todo país ao longo do ano. O espetáculo apresentado chamava-se “Amor e Tango” e na ocasião já havia passado por mais de 30 países. Mora Godoy é a mais famosa dançarina de tango da Argentina e poder assisti-la (e ainda de graça!!) foi um privilégio enorme. Fiquei sentadinha só apreciando um número de dança melhor que o outro, e me apaixonei pelo Tango. 

Palco montado próximo ao Obelisco para a apresentação de Mora Godoy


Minhas considerações gerais sobre Buenos Aires:

- sim, sua arquitetura parece com a da Europa. E os prédios históricos são lindos.

- os hermanos são simpáticos e adoram os brasileiros. Sabe aquela rivalidade toda do futebol? Esqueça! Ela fica somente no futebol mesmo.

- o Tango é realmente uma dança linda. Escolha um dos shows, assista e emocione-se.

- os sorvetes são maravilhosos! E o doce de leite também. Não deixe de prova-los.

- carnes e massas são a base das refeições, em geral mais baratas que aqui no Brasil, e muito gostosas. Enjoy!

- tem muitos brasileiros por lá, então não espante-se se você ouvir mais o português na rua do que o próprio espanhol;

- a “propina” ou gorjeta (nossos famosos 10%) não são inclusas na conta, então devem ser pagas a parte (mas não são obrigatórias, não tem porcentagem fixada, e são uma cortesia esperada quando o atendimento e/ou serviço é bom).

- prove as empanadas, os alfajores, as provoletas, os chinchulines, a morcilla, o tostado no pão de miga, a faina, o pomelo e tudo mais que você puder. Eu estabeleci uma relação de amor e ódio com eles: uns eu amei, outros odiei. Mas considero importantíssimo o ato de experimentá-los.

Buenos Aires é uma cidade linda; aproveite tudo que ela tem a oferecer! E depois não se esqueça de passar aqui para contar como foi a sua experiência. :)

Até a próxima trip!

Natália


*Agradecimento especial: dedico este texto a minha grande amiga Mariana, que além de ter divido apê comigo durante bons meses aqui no Rio, também me recebeu com todo amor do mundo (juntamente com sua mamis, tia Rosina) em sua casa em Buenos Aires. Obrigada por todo carinho e pela viagem especial que me proporcionaram, Mari e tia Rosina!

Mari, tia Rosina e eu em uma paradinha para o café em Palermo Soho

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